ppontoni

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Friday, March 14, 2008

Que sera, sera.

Eu devia ter uns 9 ou 10 anos. Lembro que no fim da aula para o recreio eu subi no tablado do professor, olhei para a minha turma e vomitei (literalmente vomitei) no chao da sala. La do alto do tablado caiu tudo da minha boca.
Eh claro que o que veio em seguida era o esperado de criancas: muita risada, dedos apontados para mim e uma surpresa. Eu lembro ate hoje do nome dela e dos cabelos como eram bem cacheados e grossos. Eram de um tom dourado quase cinza. Os olhos super azuis e a pele branca. O nome dela era Bruna e foi ela que fez todo mundo ficar quieto e parar de rir de mim. Ela foi firme e falou tudo isso olhando nos olhos de cada um, me tirou de la de cima, e foi junto comigo para o banheiro.

Eu acho que ja passei essa fase de nao saber exatamente o que esta vindo e nao controlar ou salvar o meu vomito.
Mas o problema agora eh que as vezes eu acredito saber exatamente demais sobre o que esta vindo, como vem e o que vai ser.

Sera que o gerente da Japonaise Bakery vai conseguir fazer a cobertura do bolo pra mim? Porque eh que eh que o Scott quer filmar uma semana depois que eu quero? Sera que vai dar tempo para o meu filme comecar a ser editado ja na primeira semana de Maio? Ainda, sera que eu vou finalmente encontrar alguem para editar o filme para mim? Sera que eu fiz a escolha certa da atriz? Sera que nao vai ficar uma interpretacao dura e caricata? Sera que ela ta realmente entendendo? Sera que vai dar tudo certo com o catering do filme? Sera que 15 dolares para o almoco de cada um eh suficiente? Sera que eles todos gostam de comida asiatica? Sera que as sequencias do supermercado vao ficar como eu quero? Sera que nao vai ficar muito igual as sequencias do apartamento? Sera que o apartamento antigo da Marielle vai aguentar o uso dos equipamentos de luz? Sera que o fusil do predio vai estourar? Sera que eu vou ter a ajuda de um assistente de producao no set? Sera que a Stacey vai estar aqui para filmar comigo ou vai ter que ir pro casamento do irmao dela? Sera que a Kristal vai encontrar roupas boas para a personagem? Sera que o Scott nao pode mesmo filmar nos dias 8 e 9 de Abril? Sera que faco a telecinagem na National ou na Finish? Sera que tenho pensando nas formas mais interessantes e nas formas mais ordinariamente boas de filmar cada cena? Sera que eu sei realmente quem eh a Harriet?
Sera que eu to pensando demais?!
Viram soh? Agora nao tem vomito saindo pela minha boca. Mas tem noites mais curtas, mais cafes no estomago, adrenalina chata, ansiedade que sempre me seguiu e vontade de fumar que nem uma louca no cio.

Eu sei quais as respostas dos seras. Mas quero sempre deixar para acreditar depois.

Saturday, March 08, 2008

Entao. Agora eu ja vi a Harriet em pessoa e cada elemento do meu curta parece estar mais real e palpavel do que antes. Eh muito bom tudo isso. Muito importante pra mim, que se fico demais no abstrato e naquilo que eu nao posso ver, acabo mudando demais de ideia, tirando e colocando coisas que nao sao necessarias!
A Harriet eh alta, assim como eu queria mesmo. Quis encontrar uma atriz que nao tivesse qualquer semelhanca com a imagem de uma amiga da mae de alguem, com aquela tia querida da infancia, com alguem que a gente se sente confortavel estando perto. Ela eh estranha bem como eu quero que ela seja e tem uma voz que precisa para a personagem.

Estou saindo agora para fazer ja as coisas que tenho deixado muito para depois. Breakdown o roteiro, trabalhar no orcamento, e melhorar o shooting schedule, agora que ja tenho o supermercado confirmado!!

Devagar e sempre.

Tuesday, February 26, 2008

Fazia tempo que eu nao voltava aqui para escrever.
Sobre o que escrevo agora? Eu poderia escrever de tantas coisas nas mesmas frases e misturar tudo e deixar como sempre ficam minhas ideias: confusas mas inspiradoras.

Vou falar acho sobre um pouco da minha vida.
O quanto eu queria estar aqui com algumas varias pessoas, mas nao estou. E nao estando, me faco enxergar coisas e prestar atencao em sabores que nao faria se assim nao fosse. Eh uma vida interessantissima. Uma vida de um quase-adulto que estou experimentando agora, longe de tudo e de todos e muito mais perto de mim do que eu ja estivesse antes. Eh olhar para voce mesmo ou...olhar!

Agora eu vejo tudo indo, caminhando. Soh queria me ensinar melhor a aproveitar tudo, porque eu sei o quanto as coisas mudam depois que voce ja nao esta mais ali ou aqui. Sei o quanto pode doer e o quanto voce pode ficar desejando tudo de volta e ter feito tantas coisas diferentes. Ou mais das mesmas.

O processo de pre producao do meu curta metragem de tese esta indo lento, mas sempre certo e com passos para frente, nunca um para tras. Gracas a Deus! Sabe, eu soh tenho que agradecer, por tudo! Por mais que as coisas nao parecam tao faceis, elas tao pouco sao dificeis! Eh a maravilhosa sensacao de estar no meio de tantas coisas e possibilidades e nao saber exato de tudo na hora, mas aos poucos descobrir e gostar mais ainda.

Nao sei se troco o hoje pelo ontem. Eu sei que pode parecer um tanto quanto estupido querer trocar o que pode ser o teu futuro, com coisas que ja vivemos e ficaram para tras, mas eu sou uma pessoa que vive muito de nostalgia.
Por exemplo, eu nao precisava do beijo que ganhei dele no meu sonho ontem. Mas foi bom, foi otimo, foi maravilhoso poder realmente sentir aquele beijo suave e tranquilo, vindo de quem vive no meu passado. Eu quero transformar esse verbo "viver" e bota-lo no passado: VIVEU. Vou aprender. Eu juro pelo menos tentar.

E juro voltar mais aqui vezes, faz um otimo bem escrever. Para mim mesmo.

Tuesday, December 18, 2007

Vao ser mais ou menos assim

Lembra quando a gente era pequeno e a professora colocava uma musica pra tocar no som pra gente ficar desenhando qualquer coisa num papel branco e grandao?
Eu lembro, nao sei por que, que queria deixar mais tudo solto. Soltar mesmo. Quase que fechar o olho e ir pra la e pra ca e botar tudo no papel. Tudo em redondo, preto, pra cima, pra baixo. Criando qualquer coisa que me inspirasse a musica. Eu lembro que nunca mais me pediram pra fazer isso.
Quando vc vai crescendo a meleca eh que ja nao tem mais tanto espaco em branco pra voce rabiscar e ir pra la e pra ca. Voce tem que ter tudo ja planejado e tracado. Nao tem graca. Eu nao quero.

Entao sera assim.
Uma colecao de pequenas historias de cores, movimentos, detalhes, perspectiva, montagem, planos, angulos, velocidade, lugares, humanos, sombras, luzes.
Eu eu estou amando as musicas que saem do meu som hoje.
Vao ser elas e com ele.

Sunday, December 02, 2007

E eu que escrevi...

Dai que ontem, depois de me encontrar com o meu grupo de apresentacao para o projeto de Understanding Television Sales and Marketing (que, por falar neles, merecem comentarios a parte) eu continuei por la mesmo, mesmo quando eles foram embora, e comecei a escrever o meu final paper para a mesma aula.
A gente tem que escrever a nossa visao e opiniao de como o television advertisement vai estar daqui 5 anos, com tanta sinergia das midias e novas midias (i.e internet, blackberry, iphone, youtube...). Ta, eu comecei a querer escrever serio e polido. No final, eu estava digitando a ultima frase da fabula que eu criei para comparar como o Gigante demorou para aprender a conviver com a nova e agil Abelhinha, enquanto a multidao assistia tudo tentando se acostumar com tantas novas possibilidades incriveis.
Eu sou da opiniao que um vai continuar ajudando ao outro. Um pode ser a extensao do outro, e nao o fim de algo.
Ai mandei o texto para a Marielle revisar. E veio a resposta dela, dizendo que deixou um pouco menos "fabuloso". GENTE!
PERCEBAM que eu to FUDIDO! Ate para papers serios, eu acabo botando uma trilha, fecho os olhos, enxergo o gigante, todo grandao (!), antigo, desbotado, mas mesmo assim, imponente e potente. Vejo a abelha com um amarelo-ovo intenso, limpo e agil. Vejo a multidao com suas cabecas viradas para cima e acompanhando tudo, embasbacadas.

A sei la viu. Tem momentos que eu queria ser menos coracao e mais cabeca. Ate pra isso, pode?

Saturday, November 10, 2007

Pausterizacao e america do norte

Eu sempre tive os Estados Unidos, na minha cabeca, como O lugar para toda e qualquer coisa. Para tornar os meu objetivos reais, os meus sonhos palpaveis e a vida mais experiente. Sempre tive a ideia de que era o melhor lugar, em tudo. Para tudo. Que seria inevitavel a minha mudanca para ca e que, assim sendo, tudo se resolveria, ao seu tempo.
Varios meses se passaram desde que eu me mudei para ca. E de tudo o que eu ja vi e senti, percebo que NADA, absolutamente NADA se compara com a nossa patria. Com a nossa tentativa (e sucesso) de vencer no proprio pais, com as nossas proprias barreiras.
Tendo conhecido varios brasileiros, legais e ilegais, percebe-se LOGO de cara que seus espiritos nao estao sossegados. E nao digo isso pq eles tem uma paixao e garra para ir frente. Isso ate eles tem (para estar aqui voce precisa disso em doses cavalares), mas digo muito mais no sentido de paz na alma, de tranquilidade no coracao e certeza de onde esta e a razao para tal escolha. Eh muito facil. Todos dizem que a razao eh o reconhecimento, a maneira facil de se ganhar dinheiro aqui e fazer tudo o que nao se pode no Brasil. Ate certo ponto eu concordo. O dinheiro aqui vale muito mais. Te proporciona muito mais coisas. Mas todas essas coisas sao PAUSTERIZADAS. Tudo eh muito vago, superfulo, raso, fino, fragil, sem cor, sem sabor, sem textura, sem consistencia, sem forma, sem data de validade, sem altura, sem profundidade, sem carne, sem calor, sem nada.
Eh como se nada fosse realmente ficar. Como se, mesmo com coisas importantes e serias, tudo fosse um jogo com regras que sao assim para serem seguidas.
Nao vejo muito futuro para mim aqui. O aprendizado eh fantastico e o acesso a coisas que nao teria no Brasil, eh incrivel. Mas tudo me parece que essas coisas fantasticas estao em lugar COMPLETAMENTE errado. Em uma cultura COMPLETAMENTE vesga e miope, em um tempo que JA ESGOTOU para a mesma.

Eh agora esperar para ver como vai se dar o desfecho desse grande e ultimo Imperio-das-sentimentos-pausterizados.

E, por favor, nao me venham falar de diferencas culturais e adaptacoes. Percebe-se facilmente que se adaptada a algo que nao eh real, que nao tem gordurda. Que eh PAUSTERIZADO.

Tuesday, November 06, 2007

Bolo e solidao

Eu acredito que agora vai. Que agora ela vai poder falar, sentir mais e fazer tudo o que ela querendo fazer.
Jesus, eh complicado! Estou com Harriet dentro de mim, la, quietinha e soh esperando. Tem varias coisas dela que agora eu vou deixar para tras e pedir soh uma coisa dela: a solidao. Mas como eu sei como ela eh, ela vai querer ainda ser um pouco daquelas outras que ela eh: teimosa e independente.
Confesso que ela comecou bem diferente, mas que agora eu ja sei que ela eh assim, organizada, teimosa, independente e sozinha. E eh ai que eu pego e puxo a solidao dela para fora e boto no papel. Dessa vez tem que dar. E pode ser simples, nao precisa ser surreal ou fantasioso. Talvez seja ate mais real do que eu possa estar imaginando e que cabe a mim, com calma, entender mais e confiar mais, em mim e nela.
Entao ela vai narrar tudo para a gente, mas sem deixar entregar que tudo nao eh como parece ser e que a necessidade de falar e comunicar, as vezes pode vir de um lado soh e nao precisa de resposta, mas ainda assim, precisa de um ouvido. Nesse caso o ouvido vai ser uma outra pessoa do outro lado da linha telefonica, fazendo o seu trabalho, o ganha pao, e mal entendendo o que se passa. Harriet eh tao dentro do que ela precisa e quer fazer, que ela vai la e faz, puxando outro alguem para junto disso e acreditando que eh certo e assim que deve funcionar.
O dia-dia dela vai ser relatado por ela mesma. Com lembrancas, com observacoes soh delas (mas nem sempre verdadeiras) e com um toque de que tudo esta sendo ouvido (ou contado) por um amigo intimo.
O final vai mostrar que nao eh nada disso. Que a solidao eh o unico amigo intimo e que talvez, essa seja a propria opcao de Harriet, de nao dividir esse amigo com nenhum outro.

Vamos ver no que vai dar.
muita merda!