Qualquer coisa
Eu imagino uma rua nao deserta, mas calma. Esta no fim do dia de Outono e parece que vai chover. Voce consegue sentir isso pelo vento, pelo cheiro mas nao tanto pelas nuvens no ceu. Sabe quando seus olhos so veem tudo azul e cinza? Entao. Eh assim que esta essa rua. Vou chama-la de Eggnog St., perto de um pequeno parque onde os pais adoram levar os filhos para brincar e os cachorros para passearem. Mas agora, nesse horario, ja nao tem mais nenhum pai, crianca ou cachorro. Onde antes existia flores coloridas, agora so tem galhos secos e terra preta. De longe eu consigo perceber o tanto de folhas secas no chao. Sao roxas, cor-de-vinho-tinto, e vermelhas-sangue. Ta. Mas voltando agora para a rua. Eu estou com o meu coracao acelerado. Nao de ansioso ou de pressa, mas de pressentimento ou esperanca. Acho que estou sozinho, e visto um gorro, que amassa o meu cabelo, que esqueci de lavar desde ontem (estou aprendendo a nao tomar banho todo dia. quem diria!). Esse gorro tem um cheirinho confortante, e me deixa querendo ficar parado ali pra sempre. Mas eu nao posso. Estou no meio da rua, e mesmo que essa rua esteja calma, ela nao esta deserta. Os carros que passam todos tem o vidro muito escuro e nao consigo enxergar dentro. E todos sao da cor preta. Eles passam em camera lenta, assim como o meu pescoco vira e sente um rajao de vento forte que me faz fechar os olhos e respirar fundo. As folhas comecam a se mexer violentamente no chao e eu seguro o meu cachecol junto de mim.
Eu quero que chova e ao mesmo tempo nao quero que chova. Esqueci o meu guarda chuva e pela primeira vez, sai sem a minha mochila. O que torna tudo tao justificavel o meu coracao estar batendo acelerado e eu estar pressentindo alguma coisa. Acho que nao eh a chuva e nem nada. Mas alguma outra coisa. Agora estou parado bem de frente a esse pequeno predio de dois andares. Comeca a tocar uns tambores com sons grossos e pesados. Engracado que qualquer movimento que eu faca eh em camera lenta e o vento continua a me fazer fechar os olhos de vez em quando. Agora um piano bem la no fundo. Eu consigo ouvir, como se estivesse vindo de uma sala fechada e vazia. Que engracado. Nao vi ninguem nessa rua ainda. Ninguem andando na rua e nem no parque. A nao ser por uma figura negra sentada num banco longe de mim. Bem longe de mim. Eu arrasto os meus pes na calcada de cimento enquanto vou andando. Sinto a borracha da sola do tenis branco com a sujeira seca da calcada.
Agora apareceu uma mulher bem alta do meu lado. Alta e com cabelos bem curtos. Parece estar lacrimejando, mas so pode ser por causa do frio. Esta inteira de preto e sorri olhando pra baixo. Olhando pra mim. Ela me pega pela mao e vamos andando pra dentro do parque. Eu me sinto completamente crianca e assustado. Acho que ela esta sentindo que eu nao quero continuar indo em frente...
...estamos indo em direcao aquela figura negra sentada no banco la longe.
Eu quero que chova e ao mesmo tempo nao quero que chova. Esqueci o meu guarda chuva e pela primeira vez, sai sem a minha mochila. O que torna tudo tao justificavel o meu coracao estar batendo acelerado e eu estar pressentindo alguma coisa. Acho que nao eh a chuva e nem nada. Mas alguma outra coisa. Agora estou parado bem de frente a esse pequeno predio de dois andares. Comeca a tocar uns tambores com sons grossos e pesados. Engracado que qualquer movimento que eu faca eh em camera lenta e o vento continua a me fazer fechar os olhos de vez em quando. Agora um piano bem la no fundo. Eu consigo ouvir, como se estivesse vindo de uma sala fechada e vazia. Que engracado. Nao vi ninguem nessa rua ainda. Ninguem andando na rua e nem no parque. A nao ser por uma figura negra sentada num banco longe de mim. Bem longe de mim. Eu arrasto os meus pes na calcada de cimento enquanto vou andando. Sinto a borracha da sola do tenis branco com a sujeira seca da calcada.
Agora apareceu uma mulher bem alta do meu lado. Alta e com cabelos bem curtos. Parece estar lacrimejando, mas so pode ser por causa do frio. Esta inteira de preto e sorri olhando pra baixo. Olhando pra mim. Ela me pega pela mao e vamos andando pra dentro do parque. Eu me sinto completamente crianca e assustado. Acho que ela esta sentindo que eu nao quero continuar indo em frente...
...estamos indo em direcao aquela figura negra sentada no banco la longe.

1 Comments:
Já deu prá sentir o som do silêncio...sentir estar dentro de uma bolha que por sua vez está dentro do cenário...da rua com o vento o cheiro o povo os carros o vento o gorro o cheiro o banco o banco ...
Profundo filhão!
Parabéns por abrir a gavetinha do pensamento...rsrsrsr...
Saudades
Beijão !!
Madressita
Padressito
Hermanito
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