ppontoni

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Saturday, November 10, 2007

Pausterizacao e america do norte

Eu sempre tive os Estados Unidos, na minha cabeca, como O lugar para toda e qualquer coisa. Para tornar os meu objetivos reais, os meus sonhos palpaveis e a vida mais experiente. Sempre tive a ideia de que era o melhor lugar, em tudo. Para tudo. Que seria inevitavel a minha mudanca para ca e que, assim sendo, tudo se resolveria, ao seu tempo.
Varios meses se passaram desde que eu me mudei para ca. E de tudo o que eu ja vi e senti, percebo que NADA, absolutamente NADA se compara com a nossa patria. Com a nossa tentativa (e sucesso) de vencer no proprio pais, com as nossas proprias barreiras.
Tendo conhecido varios brasileiros, legais e ilegais, percebe-se LOGO de cara que seus espiritos nao estao sossegados. E nao digo isso pq eles tem uma paixao e garra para ir frente. Isso ate eles tem (para estar aqui voce precisa disso em doses cavalares), mas digo muito mais no sentido de paz na alma, de tranquilidade no coracao e certeza de onde esta e a razao para tal escolha. Eh muito facil. Todos dizem que a razao eh o reconhecimento, a maneira facil de se ganhar dinheiro aqui e fazer tudo o que nao se pode no Brasil. Ate certo ponto eu concordo. O dinheiro aqui vale muito mais. Te proporciona muito mais coisas. Mas todas essas coisas sao PAUSTERIZADAS. Tudo eh muito vago, superfulo, raso, fino, fragil, sem cor, sem sabor, sem textura, sem consistencia, sem forma, sem data de validade, sem altura, sem profundidade, sem carne, sem calor, sem nada.
Eh como se nada fosse realmente ficar. Como se, mesmo com coisas importantes e serias, tudo fosse um jogo com regras que sao assim para serem seguidas.
Nao vejo muito futuro para mim aqui. O aprendizado eh fantastico e o acesso a coisas que nao teria no Brasil, eh incrivel. Mas tudo me parece que essas coisas fantasticas estao em lugar COMPLETAMENTE errado. Em uma cultura COMPLETAMENTE vesga e miope, em um tempo que JA ESGOTOU para a mesma.

Eh agora esperar para ver como vai se dar o desfecho desse grande e ultimo Imperio-das-sentimentos-pausterizados.

E, por favor, nao me venham falar de diferencas culturais e adaptacoes. Percebe-se facilmente que se adaptada a algo que nao eh real, que nao tem gordurda. Que eh PAUSTERIZADO.

Tuesday, November 06, 2007

Bolo e solidao

Eu acredito que agora vai. Que agora ela vai poder falar, sentir mais e fazer tudo o que ela querendo fazer.
Jesus, eh complicado! Estou com Harriet dentro de mim, la, quietinha e soh esperando. Tem varias coisas dela que agora eu vou deixar para tras e pedir soh uma coisa dela: a solidao. Mas como eu sei como ela eh, ela vai querer ainda ser um pouco daquelas outras que ela eh: teimosa e independente.
Confesso que ela comecou bem diferente, mas que agora eu ja sei que ela eh assim, organizada, teimosa, independente e sozinha. E eh ai que eu pego e puxo a solidao dela para fora e boto no papel. Dessa vez tem que dar. E pode ser simples, nao precisa ser surreal ou fantasioso. Talvez seja ate mais real do que eu possa estar imaginando e que cabe a mim, com calma, entender mais e confiar mais, em mim e nela.
Entao ela vai narrar tudo para a gente, mas sem deixar entregar que tudo nao eh como parece ser e que a necessidade de falar e comunicar, as vezes pode vir de um lado soh e nao precisa de resposta, mas ainda assim, precisa de um ouvido. Nesse caso o ouvido vai ser uma outra pessoa do outro lado da linha telefonica, fazendo o seu trabalho, o ganha pao, e mal entendendo o que se passa. Harriet eh tao dentro do que ela precisa e quer fazer, que ela vai la e faz, puxando outro alguem para junto disso e acreditando que eh certo e assim que deve funcionar.
O dia-dia dela vai ser relatado por ela mesma. Com lembrancas, com observacoes soh delas (mas nem sempre verdadeiras) e com um toque de que tudo esta sendo ouvido (ou contado) por um amigo intimo.
O final vai mostrar que nao eh nada disso. Que a solidao eh o unico amigo intimo e que talvez, essa seja a propria opcao de Harriet, de nao dividir esse amigo com nenhum outro.

Vamos ver no que vai dar.
muita merda!